#0039 Em busca do inútil

Vivemos em busca de fazer algo para…

Quero que aqui você leia um texto que seja completo nele mesmo.

E se ele não é para algo, ele é inútil.

Para ser completamente justo, essa é uma definição do Clóvis de Barros Filho no livro “Felicidade é inútil”. Seu argumento é que a felicidade é a causa final. Por exemplo, você trabalha para ter dinheiro para desfrutar com sua família, viver feliz, mas quando você vive feliz, não busca outra coisa. É como se essa causa fosse uma causa final.

Eu vejo a arte como ele vê a felicidade.

A arte é uma causa final.

E isso me causa um conflito, pois se de um lado tenho esse conceito de arte muito claro, e de onde desejo posicionar os meus textos, do outro tenho que escrevo também para ser lido. Como equilibrar esses dois lados?

Se meus textos hoje não são lidos por ninguém, além da minha esposa que me ama, então talvez exista nisso um indício de que há algo errado, que eu devesse melhorar. Provavelmente estou longe de conseguir escrever essa causa final de um texto, um texto completo por ele mesmo.

Por outro lado, tenho exemplos de grandes escritores e escritoras que foram ignorados em vida. Mas estavam escrevendo aquilo que precisavam. E aquele texto, ignorado por seus contemporâneos, hoje me perpassa como uma lança e agrega sentido à minha vida.

Mas não desejamos falar com a morte.

Tenho lutado para encontrar um equilíbrio entre minha autenticidade e a melhora da minha própria arte. Mas é um processo lento e gradual.

Mas cada vez tenho mais clareza para onde desejo ir, e consequentemente meus textos, sei que eles merecem o meu melhor e minha constância.

E dessa vez não vou me sabotar. Nós nos sabotamos porque desejamos ter controle sobre a situação. Se eu parar de postar meus textos, tenho controle sobre eles. Tenho o conforto de acreditar ser um gênio que ainda será descoberto. Mas, quando coloco meus textos para o mundo, perco o controle; portanto, é preciso aceitar com humildade quando o problema é o texto e ter coragem de seguir a intuição de que, às vezes, o problema não é o texto. Se alguns escritores e escritoras reconhecidos postumamente, imagina quantos foram esquecidos? Nem aqueles que escreveram e foram lidos em vida têm garantia de serem lembrados; quiçá todos os outros.

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