Autor: Gustavo Aranha

  • #0009 Veneza, a história não contada

    #0009 Veneza, a história não contada

    Você sabia que as famosas ilhas de Veneza são quase que artificiais? Eu fiquei em choque quando descobri.

    A história da República de Veneza remonta à queda do império romano. As diversas invasões dos bárbaros (os romanos chamavam de bárbaros todos aqueles que não falavam latim). Eles se estabeleceram na região dos lagos de Veneza, que era pantanosa.

    Em 697 d.C. com a ajuda do império bizantino, a República de Veneza foi fundada.

    Mas o mais impressionante, pelo menos para mim que sou leigo em construções, é que a região era pantanosa, então eles precisaram construir a base nos pântanos para então, construir os seus lares.

    Eles buscaram toneladas de madeira da Croácia, basicamente fizeram uma barragem, secando a região, para colocar as madeiras, depois aterram. Depois disso, a madeira fica no vácuo, e não apodrece, na verdade se torna uma rocha, e a base fica firme para as construções posteriores.

    Tudo isso sendo feito entre os séculos V e VII depois de Cristo. Impressionante para um leigo, mas para os profissionais é apenas a forma como tudo é construído.

    Então, por sua história de função de refugiados de guerra, por sua beleza ímpar, e pela água. Veneza ganhou um espaço grande, maior que uma ilha, no meu coração.

    Quem sabe um dia eu tenha a oportunidade de voltar àqueles ares.

    Eu pedi para uma IA ler o rascunho que fiz sobre Veneza e, de repente, ela apontou o que eu nem via: somos como aquelas estacas de madeira que, sob a água, se transformam em pedra.

    Já se sentiu pequeno, afundado na lama da vida, tentando achar um chão? Eu mesmo passei por isso, construindo meus sonhos sobre um terreno que parecia impossível. E se a nossa fragilidade for, na verdade, a base da nossa resistência?

    Venha mergulhar comigo nessa metáfora que a IA me ajudou a descobrir. No Substack, a crônica completa espera por você – procure pelo título #0009 Veneza, a história não contada. O link está na bio.

  • #0008 Sentindo a pulsação do renascimento em Florença

    #0008 Sentindo a pulsação do renascimento em Florença

    Eu imaginei que sentiria essa energia da criação em Paris, mas não.

    A energia de Florença é diferente. Quando você anda pelas ruas da cidade você sente os nossos ancestrais.

    Não que eu saiba, não tenho descendência italiana. Mas todos nós descendemos do legado do renascimento. Este, que ocorreu naquela cidade.

    Você acredita em energia? Não no sentido científico da coisa, mas naquilo que popularmente conhecemos como: o santo bateu.

    Em Florença meu santo bateu. Em Florença eu conseguia me ver.

    Eu imaginei que sentiria essa energia da criação em Paris, mas não. Quando estive na Terra de Dante Alighieri, Giovanni Bocaccio, Michelangelo e Leonardo da Vinci; foi diferente, foi especial.

    Era como se a energia da cidade fosse a própria arte.

    Quando eu escrevo esse texto, me lembro de algo importante. O que restou dos grandes nomes foram as obras. Mas a cidade só sobreviveu por todos que fizeram um pouco para ela continuar viva.

    A vida depende de todos. E tome cuidado, pois Inteligência Artificial não tem vida. E talvez você esteja destinando tempo demais a ela.

    Uma cidade arte.

    Toda cidade é linda. Cada lugar com sua singular beleza. Mas nem toda cidade é uma cidade arte.

    Andando por aquelas ruas pude me reconectar ao meu elemento artístico. A minha fome insaciável por colocar as minhas palavras no mundo.

    Eu sei que toda a arte tem a sua importância. Até mesmo aquela que o público não abraça. E fica restrita apenas ao autor e seus familiares.

    A arte ressignifica as suas experiências. E viajar pode ser tanto uma arte, como foi para mim ao ser inserido em Florença, como pode ser uma viagem apenas, como foi ser apenas mais um dos mais de 48 milhões de pessoas que visitam Paris todos os anos.

    Se você leu comenta: “eu li”.

  • #0007 Paris, beleza ou status?

    #0007 Paris, beleza ou status?

    Quando estive em Paris me vi perguntando: cadê todo o glamour?

    Como não sou rico, é óbvio que eu e minha esposa escolhemos uma hospedagem afastada do centro e navegamos pelos labirintos do metrô.

    Cada estação com sua arte visual. Dentro do vagão as pessoas eram, me espantei, eram pessoas normais, iguais as pessoas que têm aqui do outro lado do oceano.

    Elas navegavam por seus Smartfones como se cada uma delas estivesse sozinha dentro do próprio mundo virtual. Poucos conversavam.

    Alguns fechavam as pálpebras em descanso, talvez depois de um dia puxado de trabalho? E claro, não posso me esquecer de tantos outros que cheiravam como ovo enterrado há 100 dias.

    O que dizer da torre que o engenheiro xará coordenou a construção?

    “Nós, escritores, pintores, escultores, arquitetos e amantes da beleza de Paris, protestamos com todo o nosso vigor e toda a nossa indignação, em nome do gosto francês e da arte e história francesas em perigo, contra a inútil e monstruosa Torre Eiffel.” Deixo as palavras de Alexandre Dumas, Émile Zola, Charles Gounod, entre outros.

    Brincadeira, a torre é linda, e foi uma experiência única vê-la, subir as escadas, olhar Paris, é algo realmente único.

    O que dizer do maior museu do mundo? É indescritível, minhas palavras não conseguiriam falar nada em relação a tudo que é aquele lugar. E o que achei mais lindo, ver essa figura, depois de estudar nos livros de história da arte, lá, pessoalmente, pequenininha, foi uma experiência única.

    E a comida? A expectativa era mais alta que o poder aquisitivo, risos. Paris não dá para comer nos melhores restaurantes, não ganhando em real. Ainda mais quando você pensa que, os chefes do Brasil viajam para lá, estudam anos, voltam, e superam os mestres. Sim, eu sempre acho que as nossas coisas são melhores.

    Mas, meus amigos, metrópoles são metrópoles. Muito barulho. Muita poluição. Muita arte. Muitas pessoas. Muitas opções. Muitooo…

    Talvez seja como um amigo diz: “Tu mora no Guará, tu não tem o direito de não gostar de Paris”. Como quem diz, se enxerga. Nós só temos o resto, lá que é bom. Faz sentido né? Brasil, corrupção. A eterna promessa de uma grande potência.

    Ou talvez seja por minha não possibilidade de fazer de uma viagem algo luxuoso. Paris exala luxo.

    Todavia, quando você ama olhar para o céu de Brasília e ver arte, todo o resto do mundo é igual, não é meu céu.

    Se você leu até aqui vai, comenta nos comentários, fala que sou doido de não gostar de Paris.

  • #0006 Viajar é apenas uma lista de verificação para você?

    #0006 Viajar é apenas uma lista de verificação para você?

    Você já parou para contar quantos lugares visitou apenas para tirar uma foto e seguir em frente?

    A Europa recebe 60% de todos os viajantes do mundo – mas será que estamos realmente conhecendo esses lugares, ou apenas cumprindo uma lista de tarefas que alguém criou para nós? Hoje vou te mostrar por que a forma como viajamos pode estar nos roubando as experiências mais transformadoras da nossa vida.

    Nós nunca conheceremos toda a Terra; é que viajar para mim é conhecer. Ver tudo aquilo que não conheço, me deparar com a minha ignorância, e sair da zona de conforto. Viajar nem sempre é doce.

    Um sonho muito vendido no nosso século é o de viajar, conhecer o mundo, carimbar os passaportes, ser turista.

    A Europa recebe por ano cerca de 60% dos viajantes do mundo, estima-se que cerca de 100% de pessoas viajam para o velho continente.

    Qual o roteiro? Nós vamos aos pontos turísticos, assistimos vídeos, às vezes, queremos nos sentir diferentes, receber uma glória?

    Quem dera que fôssemos especiais ao ponto de conseguir criar um conceito de viajar diferente. Não conseguimos, é como se tudo já tivesse sido feito e pensado.

    E ainda corremos o risco de cair nas armadilhas do mercado. Transformar o que poderia ser uma experiência única em um check-list sem vida.

    Para fugir do óbvio precisamos aceitar algo inerente a nossa natureza. A limitação de nossos sentidos e de nossa própria vida.

    Nascemos para morrer.

    E quando aceitamos que somos finitos, que o que é especial é aquilo que nós podemos apreciar, é como se o check-list sem vida, se tornasse colorido.

    Se faz sentido para você curta.

  • #0005 A ilusão de viver sem limites

    #0005 A ilusão de viver sem limites

    Você já se perguntou porque quando você faz exatamente o que você quer, é como se algo dentro de você quebrasse e dissesse que está errado?

    Nesta crônica quero te mostrar que a verdadeira liberdade pode ser o oposto do você sempre acreditou; e também o motivo da realização desenfreada de desejos ser nocivo a nossa alma.

    A liberdade que nós conhecemos é só mais uma mercadoria do sistema.

    Até relacionamos relacionamento com prisão.

    Mas será que liberdade é tornar vivo os nossos desejos, sejam eles quais forem?

    Deixa eu te mostrar um exemplo real: vemos uma pessoa comprometida e pensamos “tudo bem eu me relacionar com ela, eu sou livre, o problema é dela se trair”.

    E entramos de cabeça nisso, vivendo, deixando os fatos acontecerem e significando essa narrativa para nós mesmos dizendo que está tudo bem, que não estamos fazendo nada de errado e que estamos apenas vivendo e sendo livres.

    E tudo é fluido. Quando estamos com aquela pessoa é o infinito. Mas quando não estamos é o próprio inferno. Mas então acontece algo estranho. Começamos a sentir um incômodo que não identificamos de onde é.

    E se aplicarmos isso a raiva, você sente raiva?

    Eu sinto. Principalmente quando vejo injustiça. Há um desejo de intervir, vingar, fazer o mal àquele que comete a injustiça.

    Mas temos limites, não é? Somos civilizados. Entendemos que fazer o mal a quem comete o mal não é justiça, é vingança. Tentamos evoluir o desejo da raiva para o desejo de justiça. Pelo menos dizemos isso para os outros, não sei o que falamos para nós mesmos.

    Nós então concordamos que há um limite no que podemos conceder de nossos desejos. Se todos se tornam realizadores de desejos, demoraria quanto tempo para todos nós nos aniquilarmos? Certamente, alguém já sentiu raiva de você a ponto de querer que você desapareça.

    Outro exemplo concreto é quando comemos chocolate, alguns psicopatas conseguem comer apenas um quadradinho. Já eu, falho miseravelmente, em vez de comer um pedacinho, como a barra inteira.

    Estou sendo livre ao comer a barra inteira? Eu sei que a barra inteira faz mal para o meu corpo. Mas não consigo parar de comer ao comer um pedaço, é quase uma compulsão. Não me sinto livre, me sinto escravo do desejo.

    Já quando opto por não comer um único pedacinho de chocolate, realmente, me sinto livre.

    Então talvez o limite do desejo esteja no fazer o mal. Seria então esse o motivo do incômodo quando estando “livres” ficamos com alguém comprometido?

    O mesmo vale para traições.

    Se você não tem a escolha de conseguir parar com algo, você é livre? Não seria isso a causa da sua insônia? Esse erro na conceituação de liberdade? Nós somos livres quando conseguimos dizer não.

  • #0004 A chocante realidade sobre o aprendizado da IA

    #0004 A chocante realidade sobre o aprendizado da IA

    E se eu te dissesse que a forma como a IA aprende é muito semelhante a forma como você aprende tudo na sua vida?

    Prepare-se pois o que você vai descobrir nos próximos minutos vai mudar, claro se você se manter aberto, sua percepção sobre aprendizado, tanto da IA, quanto da humanidade.

    Algo que sempre me intrigou foi como nós, sendo humanos, podemos ter pensamentos tão divergentes? Como dois especialistas podem estudar os mesmos fatos (uma IA) e ter argumentos completamente diferentes: um diz que será o apocalipse e o outro que será a salvação da humanidade?

    Enquanto uns dizem que é o cúmulo existir uma IA que aprendeu roubando todo o conhecimento da humanidade para ser treinada, outros dizem que é a melhor invenção desde a internet, e ela aprendeu como todos os humanos aprendem, roubando uns dos outros.

    Uns acham que ela vai roubar nossos empregados e viveremos um apocalipse de desempregados. Outros que ela vai produzir tudo para que possamos nos dedicar ao que amamos, e nos relacionarmos melhor.

    Se você tem um relacionamento, você já passou pela experiência de ter a certeza sobre algo. Você está convicto que está certo. Então seu parceiro vem e joga a realidade na sua cara e bem, e você estava errado.

    Dói, não dói? É como uma parte de você se destruindo.

    E quando seu parceiro traz todos os dados, as evidências que colocam seu ponto de vista em cheque. Mas você ainda acredita que o seu ponto de vista é o certo?

    Você tem uma dura escolha. Lutar pelo que você acredita, gerando um enorme desgaste para você e o seu parceiro, ou ceder.

    Mas a experiência te mostra que seus sentidos são muito limitados. Você não consegue ter certeza se realmente está certo, você pode estar errado, você sabe, no fundo você sabe.

    Então por qual dor você escolhe sofrer?

    E é então que vem a diferença entre nós e a IA. Quando reconhecemos o nosso erro, entendemos o que originou, e sentimos a dor, neste momento sim, nós aprendemos.

    Você se lembra da escola quando o seu professor dizia: eu quero que vocês aprendam, e não decorem. Agora você pode entender de verdade a afirmação, aprender de verdade dói, enquanto decorar não. E a IA aprende decorando, memorizando todos os dados e consultando-os de maneira muito rápida.

    Mas será que sempre seguimos essa linha? Sempre quando nos apresentam evidências contrárias ao que acreditamos nós aprendemos? Quem dera que fosse assim.

    Estar errado dói demais. Então nós preferimos ressignificar as novas evidências (que muitas vezes são contrárias ao que acreditamos) para servirem de confirmação.

    “Tá vendo! Você sempre faz isso.” “Eu não disse?!”

    E se seguirmos por esse caminho nós nunca estaremos errados. Mas ignorar os fatos têm um peso.

    Me diga aqui nos comentários, o que você tem ignorado para sustentar as suas crenças favoritas?

  • #0003 A era da IA trouxe o fim a era da humanidade?

    #0003 A era da IA trouxe o fim a era da humanidade?

    A IA vai substituir todos os humanos e vamos viver uma distopia que fará com que o livro 1984 se torne história para criancinhas?

    Mas e se eu te dissesse que você está olhando para o lugar errado? Existe uma beleza escondida na transformação que passaremos nos próximos anos e décadas.

    Que beleza? Você vai me questionar, talvez lembre de alguns dados, como por exemplo, que 2,4 bilhões de pessoas sofrem de insegurança alimentar no mundo. Que beleza é essa então?

    Como ver beleza nisso? Com certeza não é possível, isso é o feio. É a nossa cicatriz.

    Mas estamos tentando mudar, melhorar, resolver esses problemas, e isto é realmente lindo.

    Há maravilhas no mundo. Mas existe também esgoto e plástico destruindo nossos mares. E nem cabe o pronome nosso, a Terra é verbo, não é possível ser substantivada. E enquanto uns tentam destruir, substantivar. Outros reconstroem, e isso sim, é lindo.

    É a beleza de nossa espécie. Saímos de cavernas para a Lua. Embora eu sozinho, certamente, morreria de fome e sede em alguns dias se não tivesse os alicerces de todos os outros humanos que vivem e viveram comigo nesta Terra.

    Mas como espécie nós estamos sobrevivendo, aprendendo com os erros, e por mais que a sua bolha pareça que tudo está perdido, nós estamos caminhando para a beleza e não para o abismo. E a IA não será o fim do nosso mundo.

    Nós somos mais fortes que parecemos. Mas é claro, que apenas conseguimos fazer isso juntos. E a IA mostra isso. Hoje ela já supera qualquer ser humano em conhecimentos gerais. É uma grande enciclopédia com tudo que nós já produzimos escrito e publicamos na internet.

    Muitas vezes sentimos um desespero e uma noção de inutilidade de nossa existência, diante de tanta grandeza da IA. Mas volto a repetir, ela só supera individualmente, quando todos nós juntamos tudo o que fazemos, e todas as tecnologias que construímos, ela não chega nem perto.

    É apenas mais uma ferramenta que utilizamos para tornar a nossa vida mais confortável nesse mundo de tantas injustiças.

    E caberá a nós também, pensar numa maneira de coexistir com ela. E quem sabe, usar realmente como ferramenta para diminuir os problemas do mundo, quem sabe acabar com a insegurança alimentar?

    A era da humanidade talvez esteja começando agora, sem termos que trabalhar tanto para comprar coisas que não precisamos, talvez consigamos pensar uma ou duas vezes por dia.

    E se nós começarmos a pensar sobre nossa própria humanidade, sobre o motivo de nossas consciências, sobre a harmonia que precisamos construir uns com os outros.

    Talvez possamos deixar de sermos tão egoístas e nos libertar da escravidão que é viver apenas para a realização de desejos superficiais e que não tem a ver com a nossa alma, mas nosso corpo. E isso sim, marcará o início da era da humanidade.

  • #0002 Ser escritor é ser alguém que escreve.

    #0002 Ser escritor é ser alguém que escreve.

    Você também já ficou anos e anos se preparando para começar algo? Esperando o momento perfeito? Eu fiz isso durante tanto tempo que quase desisti antes mesmo de começar.

    Não se aprende a nadar em livros teóricos. Você aprimora a sua técnica com livros, mas o aprendizado se faz na tentativa e no erro.

    Eu demorei tempo demais para entender isso, esperei o tempo perfeito, acreditando sempre faltar algo: faltava repertório para os clássicos, vivência, técnicas de escritas, uma lista infinita de itens.

    Todo mundo tem um pouco disso, até apelidaram de síndrome do impostor. Eu sei disso. Mas o que estava me faltando não era técnica, era coragem.

    Escrever é expor o máximo que nossa alma fragmentada pode mostrar. Como toda arte é como se ela conseguisse captar a nossa essência infinita e colocasse a disposição de outros seres humanos para conhecer esta nossa essência.

    E esse processo é doloroso. Nem sempre, ou melhor, quase nunca o nosso infinito é compatível com outros infinitos. E talvez por isso, procurei atrás de técnicas e conhecimentos, um refúgio para não encarar isso.

    Talvez eu não seja um gênio. Talvez a minha escrita não vai impactar milhões de pessoas. Talvez a máquina consiga escrever e se expressar melhor que eu.

    Mas eu amo escrever. E esse processo é um processo que fortalece o meu ser, então, eu finalmente entendi que para escrever era preciso escrever.

    Calma, deixa eu usar uma metáfora para ilustrar melhor. Existe uma trilha, uma das mais difíceis do Brasil, localizada na Pedra da Gávea, ela é muito difícil mesmo, nós vamos escalando, superando os desafios, até chegar ao topo e ganhar umas das melhores recompensas do mundo, uma visão privilegiada do Rio, algo muito lindo.

    Mas a maioria das trilhas não são assim. No final, não existe aquela visão maravilhosa, e em quase todas as vezes, precisamos voltar pelo mesmo caminho. A beleza real da trilha é a própria trilha.

    O que me resta de lembrança da Pedra da Gávea não é a visão maravilhosa, mas a superação de continuar subindo mesmo quando eu e minha esposa queríamos desistir e voltar.

    E a escrita é assim, ela não pede a glória do final. Não estou dizendo que não desejo também ser reconhecido pelo que escrevo, mas estou dizendo que isso não é meu objetivo final. A escrita não é meio, ela é o meu próprio fim.

  • #0001 A busca por valores materiais disfarçados de liberdade, esvazia a nossa humanidade

    #0001 A busca por valores materiais disfarçados de liberdade, esvazia a nossa humanidade

    Por que corremos tanto atrás de reconhecimento, fama, dinheiro e prazer como se fossem sinônimos de liberdade? Como se pudéssemos carregar isso para o caixão?

    Hoje vou te contar como descobri que minha busca por ser escritor estava contaminada com essa ilusão, e como isso levou uma frustração inevitável que talvez você esteja sentindo em sua área agora.

    Se nós vamos morrer, qual o sentido disso tudo? Algo me diz que todos nós passamos por esses questionamentos, sejam eles recorrentes ou não.

    Para aguentar a dor dessa realidade, criamos o antídoto e esquecemos disso na maior parte do tempo. Levando a vida como se fôssemos eternos imortais (o pleonasmo é proposital).

    Se você jogar tal questionamento numa inteligência artificial, ela fará um resumo desse que é um dos maiores questionamentos da humanidade. E como essa resposta variou durante a história humana.

    Durante a minha formação como um ser humano, observei o sentido da minha existência se confundindo com as palavras. Sentia-me como se a vida dependesse da escrita ou que a vida era para a escrita.

    E nós não vivemos sozinhos. Nós estamos repletos de influência, e ser escritor é uma profissão, é algo que já existe no mundo. Não veio do nada.

    Como consequência, vieram os sonhos: reconhecimento, dinheiro, status, fama e glória.

    E por mais que eu soubesse que essa realidade não seria de 99,99% das pessoas, eu esperava.

    Eu esperava quando fazia um texto. Quando fazia um vídeo. Quando tentava algo diferente, e por mais que racionalmente eu dissesse o contrário, no coração eu sentia o desejo ardente: da glória.

    O resultado: frustração.

    E em minha defesa essa espera é justa. Escrever demanda uma parte da minha alma e vida, além de tempo, então era normal esperar, ao menos, algum reconhecimento.

    Mas a realidade não nos bate, ela nos espanca e humilha. O que eu precisava fazer para ter algum reconhecimento era impossível para mim. Principalmente que escrever não é a ocupação que traz o arroz e o feijão para o meu prato.

    Então eu vivia o ciclo: começo, me animo, posto, me esgoto, saio, volto, digo que será diferente, começo, me animo, posto, me esgoto e saio.

    Para quem está do outro lado tentando produzir conteúdo, os números são implacáveis, eles querem tudo de você; se você sai um pouquinho dos trilhos, fica esquecido (não que eu em algum momento cheguei ao ápice, nem isso eu consegui e tudo bem.). Dessa vez quero fazer diferente, estou novamente construindo o meu lugar na internet, o meu blog.

    Por que blog? As redes sociais são descartáveis. Elas são o plástico da nossa mente. E eu sinto falta das pessoas. Sei que meu texto chega aos corações, acalenta, e hoje, para mim, isso já é mais que suficiente, é muito melhor que uma glória.

    O sentido para mim não é escrever. É viver. É me relacionar. É amar. É contribuir.

    E eu sei que as pessoas estão ansiosas para receber isso. Mas dessa vez não temos promessa de frequência, de quantidade, de qualquer coisa. Mas estarei aqui. Não mais pela glória, ou ilusão da glória. Escrever hoje se tornou mais importante que a glória. E de alguma forma, não escrevo para mim, mas para você.

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